Estou colocando a postagem relacionada ao estudo de hoje, nossa terceira parte do estudo entitulada: A Revelação da Lei. A segunda parte não saiu do caderno para o Word, mas em breve virá. Espero que gostem e que esteja escrita de forma esclarecedora. Tratando de Lei e Graça sempre surgem duvidas e argumentos, por isso estou aberto a responder perguntas e esclarecer tudo que estiver a meu alcance.
Servos da Justiça
Estudo do livro de Romanos
“...
e
libertos do pecado, fostes feitos servos
da justiça.” Romanos
6:18
Capítulo 2 – A Revelação da LEI
No capítulo
anterior, observamos um pouco a revelação da Justiça de Deus. Vimos que a ira
de Deus se revela contra toda injustiça (Rm 1:18), e que o fato de Deus
demonstrá-la não significa que Ele nos odeia, mas sim, que Ele quer nos
proteger e livrar de tudo o que pode nos destruir. Observamos também que Ele
nos chamou para sermos santos, e esta santidade não tem como padrão a medida
justa de Deus e não a nossa. O padrão de santidade de Deus não é outro senão
Seu próprio Filho, Jesus. Ele é a justiça de Deus revelada em carne.
Se
seguirmos a progressiva revelação da Justiça de Deus, veremos que em Jesus se
encontra toda a plenitude desta. A intervenção de Deus mencionada em Isaías
59:15,16 cumpriu-se ao revelar, na plenitude dos tempos, Cristo e sua morte
salvadora. Vemos então em Cristo a revelação de um mistério, o “mistério da
piedade”: “grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi
justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no
mundo, e recebido acima na glória” 1Tm 3:16. Segundo nosso estudo anterior, verificamos também uma
progressão na impiedade humana gerada pela injustiça e engano plantados no
homem: o pecado. O pecado ou injustiça, em sua progressão irá um dia se
manifestar revelando aquele a quem está referido o mistério da iniquidade: “Com efeito, o mistério da iniquidade já
opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então,
será, de fato, revelado o Iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de
sua boca e o destruirá pela manifestação de Sua vinda.” 2Ts 2:7,8.
1. 1. ERROS
RELACIONADOS À FALTA DE REVELAÇÃO SOBRE LEI E GRAÇA
Entrando
agora diretamente no assunto deste segundo capítulo, estudaremos Romanos 2 e
parte do capítulo 3 no assunto referente à Revelação
da Lei. Dentro deste assunto, começaremos a trazer à luz um entendimento
correto relacionado à questão de “Lei e Graça”, que, sendo por muitas vezes mal
compreendida tem gerado desequilíbrio à vida cristã de muitos. Vejamos,
primeiramente, quais são os principais desequilíbrios observados em relação a
este assunto.
a) Legalismo
O
legalismo recorre à obediência da antiga Lei do Velho Testamento para obter a
salvação. Isso demonstra uma tremenda falta de fé e de revelação da obra
completa de Cristo. Segundo veremos mais a frente, Paulo afirma aos Romanos:
“...visto que ninguém será justificado diante d’Ele por obras da Lei...” Rm
3:20.
O
legalismo pode entrar na vida de um crente nascido de novo que, por falta de
revelação, carrega em si o rigor da Lei de Moisés destituído da Graça
encontrada na Obra redentora de Cristo. Tal pessoa vive debaixo da opressão do
“certo ou errado” e do “pode ou não pode”, tentando viver uma santidade regrada
por um conjunto de normas de conduta obedecidas mecanicamente. Tais pessoas
estão cegas como observou espiritualmente o profeta em Isaías 28:7-13; 29:9-13.
Um
legalista se torna um grande religioso, apegado a preceitos inventados por
homens com a “boa intenção” de prevenir qualquer falha. Por fim, tal homem, acaba
se tornando um tirano, impondo sobre as pessoas a obediência a regras e normas
sob a ameaça de condenação, julgando a outros e se orgulhando de ser um grande
homem da Lei (Lc 18:9-14). Devido à incapacidade que a justiça-própria tem de
produzir a verdadeira santidade, estas pessoas começam a esconder e camuflar
seus pecados, tornando-se assim, grandes hipócritas.
b) Libertinagem
A
libertinagem é definida por pecar deliberadamente apoiando-se no fato isolado
da salvação ou em um conceito errado sobre graça. Alguns, levando em conta que
uma vez salvos e não mais condicionados a obediência da velha lei de Moisés,
aproveitam da liberdade dada por Cristo para praticarem diferentes perversões,
apoiados na esperança de que Deus, sendo tão amoroso, vai deixar por isso mesmo.
Muitos
libertinos batem de frente contra os legalistas, estando ambos, de fato, com um
entendimento errado da verdade. Os legalistas por sua vez, afirmam sua posição
como legítima por causa dos libertinos, e estes fazem o mesmo devido a
hipocrisia e religiosidade encontrada nos legalistas.
c) Passividade
A passividade
pelo seguinte raciocínio relacionado ao pecado: “Bem, estou salvo, mas o
continuo preso em determinado pecado. Fazer o quê, as coisas devem ser assim
mesmo, se Deus não quis me libertar não posso fazer nada a respeito”. O passivo
encara o relacionamento com o pecado, a salvação e tudo mais como pura obra de
Deus, esperando que, se Deus não faz nada a respeito por sua vida, não a nada
que ele mesmo possa fazer. É evidente que a salvação é obra de Deus (até nosso
arrependimento é concedido por Ele – Rm 2:4) por sua Graça, mas Deus nos chama
a um relacionamento cooperativo e por isso, mesmo salvos, todos permaneceremos
perante o tribunal de Cristo para prestarmos conta do que fizemos ou deixamos
de fazer enquanto vivos neste corpo (tabernáculo) de carne: 2Co 5:10.
2 2. A
REVELAÇÃO DA LEI
Para
compreendermos claramente sobre a Graça, o Apóstolo nos leva a um entendimento
progressivo, passando por cada etapa, assim como foi historicamente até que
esta se revelasse tanto para os judeus como para os gentios. A Lei é, portanto,
indispensável para o conhecimento da graça e da revelação de Jesus Cristo, é
como um degrau necessário para o entendimento equilibrado e justo da
necessidade de manifestação de um salvador.
Poderíamos deixar
o melhor para o final, porém neste estudo vamos trazer logo à tona qual o
objetivo final da Lei. O objetivo da Lei
é de REVELAR a nós o quanto somos incapazes de fazer o bem, indesculpáveis e
encerrados em desobediência. Algo tão negativo, difícil de engolir, porém é
a mais pura verdade, indispensável à salvação. Vamos agora ao estudo do texto
relacionado aos capítulos 2 e 3.
a) O julgamento justo: Rm 2:1-11.
a.1 Indesculpáveis: Neste primeiro
versículo do capítulo 2 encontramos um contraste entre a justiça de Deus e a
justiça humana. A justiça de Deus tende a julgar e condenar a alguém baseado em
seu caráter e natureza: Deus é justo, ele é a justiça em pessoa. Nós, porém,
além de estarmos contaminados pelo pecado e afetados por uma disposição mental reprovável, temos a
audácia de nos tornarmos juízes condenando a outros por seus pecados.
Talvez você
possa pensar: “Ah, mas eu condeno o que fulano fez baseado na justiça de Deus e
não na minha própria justiça.” Exatamente! O texto se refere a este tipo de
julgamento. O texto não afirma que você não pode julgar o outro. O verso 1
afirma que, não importando em que base você julgue fulano ou ciclano, você é
indesculpável diante de Deus, não importa quem seja. Sua justiça e verdade são
incapazes de lhe fazer isento de ser julgado e condenado por Deus. Por mais que
você mantenha um postura de “bonzão”, a verdade é que você mesmo pratica o que
condena em outro, e por isso, todos estão sujeitos ao juízo de Deus. A palavra
indesculpável refere-se, então, ao fato de todos estarmos sujeitos a juízo: “... pensas que te livrarás do juízo de Deus?”
(Rm 2:3).
a.2 A manifestação do justo juízo de Deus: Observando
tal realidade, sabemos que o único julgamento legítimo é prioritariamente
segundo Deus e não segundo os homens. Dentro deste ponto, Paulo revela seu
conhecimento sobre escatologia. Deus separou um dia para a revelação de seu
juízo e ira contra toda a injustiça. Muitos de nós nos perguntamos: “Porque
Deus não faz nada diante dos terríveis crimes que acontecem no mundo?”. A
verdade é que nada passa despercebido diante de Deus. Como estudamos
anteriormente, Deus em sua Justiça trabalha com medidas justas e retribuição
justa. Citamos alguns exemplos como no caso da Babilônia e seu Rei Belsazar em
Daniel 5, e no caso da promessa feita a Abraão em Gn15:13-16.
As pessoas
que, em dureza de coração, permanecem no pecado cometendo atrocidades estão
acumulando para si condenação. Esta condenação tem um dia marcado para se
revelar, e neste dia a Ira de Deus virá e não haverá fuga. Este dia é conhecido
como “O DIA DO SENHOR” e, segundo foi profetizado no Antigo Testamento, será um
dia terrível para muitos (Textos sobre “O dia do Senhor”: 1Pe 3:1-13; Am
5:18-21; Sf 1:14-18; Ez 30:1-3; Jl 1:15; 2:1-3,10,11; 3;14-21; Is 2:10-12,17;
13:6-13; 17:1-3; 29:18-20; Ml 3;1-3; 4:1-3,5). Este dia também revelará a
natureza das obras de justiça dos seguidores de Cristo, provando-as pelo fogo
(1 Co 3:13).
a.3 Retribuição segundo obras: nos
versículos 6 a 8 deste capítulo temos um ponto muito preocupante para os
libertinos, bem como um ponto onde muitos legalistas se apoiam (eu mesmo que um
dia andava neste erro). Vemos que os versículos afirmam que: “Deus retribuirá a cada um segundo as suas
obras; a saber: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram
glória, e honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos que são
contenciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça;...”.
Podemos
claramente entender o argumento legalista visto que o verso diz que os que
fazem o bem procuram glória. Porém de que “glória” estamos falando? Com certeza
não é a glória dos homens e sim a glória de Deus. Esta passagem só pode ser
compreendida claramente diante de uma compreensão equilibrada de Graça.
Primeiramente, de onde podem proceder tais boas obras? Nunca de nós mesmos, mas
somente de Deus. O texto não fala de homens que inventaram boas coisas pra
fazer que Deus ficou orgulhoso delas, mas de pessoas que perseveraram em fazer
algo bom. Este texto relaciona-se diretamente com o fato de sermos Nova
Criatura em Cristo Jesus segundo Efésios 2:10: “Porque somos feitura sua,
criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que
andássemos nelas”. Não
podemos nos gloriar de tais obras porque foi Deus que as preparou, tudo o que
temos que fazer é perseverar nelas.
Como servos da justiça devemos produzir
obras justas segundo a nossa fé. É a isso que Tiago se refere em sua epístola,
e é também a isto que se refere Apocalipse 19:7,8: “... porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se
preparou, foi-lhe permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro;
pois o linho finíssimo são as obras de justiça dos santos”. O resultado de
sermos salvos e santificados por Deus de inevitavelmente produzirmos obras de
justiça. Se somos servos da justiça, não mais presos ao pecado, não podemos mais
permanecer sem fazer nada. Nossa nova natureza é produzir tais obras pela
direção do Espírito Santo. Nisto quebramos todos os três desequilíbrios relacionados
à Lei e graça.

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